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Crack causa diminuição no peso do coração

Diminuir ImprimirEnviar por e-mailO crack é hoje a forma mais popular da cocaína, pelo baixo preço e por agir rapidamente no organismo. Na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), os resultados de uma pesquisa indicaram que a droga causou alterações significativas nos corações de camundongos. O estudo mostrou uma alteração ainda não relatada na literatura como um efeito do uso crônico da cocaína: a diminuição de peso dos corações.

A pesquisa foi desenvolvida pelo médico Alcides Gilberto Moraes, no Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP. Os camundongos foram submetidos a dois meses de exposição à droga, exceto os fins de semana, utilizando uma metodologia inédita, um dispositivo projetado especialmente para a pesquisa (câmara de inalação), que simulou como a droga é fumada na rua. “Geralmente, os estudos usam a cocaína na sua forma injetável, mas queríamos ver o resultado do crack, ao ser fumado”, explica Moraes.

Os camundongos expostos forma divididos em duas faixas etárias, jovens (pré-puberais) e adultos, para se avaliar a influência da droga em relação à idade. A droga usada no estudo fez parte de um lote único apreendido pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) da Polícia Civil e teve autorização judicial para ser utilizada na pesquisa.

Análise do coração

Ao fim dos dois meses, Moraes comparou o coração dos camundongos que consumiram crack com aqueles que não inalaram a droga. O pesquisador observou que havia uma significativa diferença no peso do coração dos dois grupos de animais. Os que consumiram a droga tiveram uma diminuição do peso dos corações, tanto jovens quanto adultos.

No grupo jovem, o pesquisador verificou atrofia das fibras miocárdicas, que explica o peso menor. A atrofia é a diminuição do tamanho das células, e que foi causada por uma deficiência na irrigação: o fluxo do sangue diminuiu por causa de contrações nos vasos sanguíneos (vasoconstrição).

Já nos animais adultos, apesar da diminuição de peso dos corações, não ocorreu a atrofia das fibras miocárdicas. Uma hipótese para explicar a perda de peso nessa faixa etária seria a de que teriam ocorrido alterações em outras células que existem da parede do coração.

O médico também observou que os camundongos submetidos ao consumo do crack tiveram um aumento na apoptose.

Segundo ele, “A apoptose é um fenômeno natural da morte de células, porém, ela teve um aumento bastante significativo no experimento; isso pode causar arritmias e levar a parada cardíaca”.

Moraes considera que o estudo abre perspectivas para outras pesquisas, utilizando outras doses e tempo de exposição, assim como pesquisar as consequências da associação do crack com outras drogas, como álcool e maconha. “Hoje em dia essa mistura é comum e não sabemos quais consequências ela traz para o organismo”, explica.

O doutorado Alterações anatomopatológicas em corações de camundongos submetidos à inalação crônica de cocaína crack, foi defendido em agosto e teve a orientação do professor Paulo Hilário Nascimento Saldiva, da FMUSP.

Fonte: Agência USP

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