Silvia Pontes

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Silvia Pontes da entrevista ao jornal O DIA : Às vezes, é melhor calar

Recentes declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que o “mundo sem drogas” é tão difícil quanto um “mundo sem sexo”, me fazem pensar que o silêncio é sábio para quem abre a boca sem conhecimento da questão abordada. As drogas que estão na antessala da liberação fazem pressão para se tornarem legais porque a população deseja?

Quem conversar com as famílias cujos filhos e/ou parentes foram afetados pelo consumo de drogas lícitas, como o álcool, vai entender o que significa o parque de diversão da liberação.

É possível que a viagem termine no trem fantasma, mas o fantasma não está no túnel nos esperando. Nós é que nos tornamos em fantasmas, envolvidos com a mágica experiência do consumo e/ou do envolvimento com alguém dependente.

Quando a droga passa a ser comparada ao sexo, somos convidados a acreditar que ela é tão vital que não conseguimos dispensá-la. É possível que a mãe natureza ainda não tenha sido avisada sobre essa importância.

Como o ser humano gosta de brincar de Deus, é bem possível que invente, através das necessidades inventadas pela cultura, essa nova prioridade, reduzindo o sexo ao relacionamento com a coisa. Se droga é coisa, sexo também o é. E, assim, com um ou outro, em coisa nos tornamos. Triste relação.

O ser humano merece mais respeito, merece algo muito melhor, que não está fora de si, mas dentro da sua mente e do seu coração. Nascemos sem o apoio ou a muleta das drogas. Nascemos através do sexo. Seria sempre bom que isso viesse com amor. Quem usa drogas tem dificuldade de amar a vida como ela é.

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